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painel em linho com figuras bordadas

painel em algodão de Viana do Castelo

almofadas em cetim bordadas a matiz

 

pano rectangular com bordado das Caldas da Rainha

toalha com bordado das Caldas da Rainha

   

painel com bordado de aplicações e matiz

painel bordado a matiz

 

BORDADOS DE VIANA

Os bordados de Viana do Castelo ou bordados vianenses, de fio de algodão, são dos mais conhecidos e desfrutam de uma grande popularidade. Tornaram-se conhecidos em 1917 numa exposição de “lavoures femininos” nas festas da Senhora da Agonia. Estes trabalhos provinham de aldeias interiores pertencentes a esse concelho.

O desenvolvimento desta indústria deve-se ao impulso da Sr.ª D. Gemeniana Branco de Abreu e Lima, cuja iniciativa foi seguida por inúmeras casas comerciais que se dedicam a esse negócio.

Os bordados de algodão e fio de lã já eram há muito empregues nos trajes das populações rurais femininas (ombreiras, punhos e “ colarete” das camisas, saias algibeiras e coletes), bordados considerados como “ pobres” pelos materiais utilizados - linha de meia de algodão branco sobre “baeta” vermelha.

Nos trajes bordados com lãs, as saias, algibeiras e coletes eram enriquecidos com ruches, vidrilhos (“bildrilhos”como pronunciavam as camponesas) missangas e lantejoulas sendo, na maior parte das vezes, os motivos contornados por palhetes (fio amarelo ou branco misturado com lâminas metálicas, muito finas, douradas ou prateadas).

A camisa de linho tecida pelas próprias camponesas, cobria-lhes todo o corpo até à meia canela. Apertava no pescoço, cobria-lhes os braços e, a partir da cintura, em vez do alvo linho nascia a “ fralda” de pano diferente. Lindos desenhos bordados a azul enriqueciam a camisa especialmente nos ombros.

 

pano bordado a Viana do Castelo

pano com bordado de Guimarães

   

naperon redondo com pontos de fantasia

toalha com bordado de Guimarães

   

pano rectangular bordado a ouro e prata

almofada em cetim bordada a matiz

   

Presépio bordado a matiz

bordados de Castelo Branco (1 - lã, fio de ouro, lantejoulas e canotilho; 2 - fio de seda sobre linho)

BORDADOS DA MADEIRA

As bordadeiras rurais proliferavam por toda a ilha e as profissionais estão mais concentradas no Funchal. A indústria desses bordados é muito antiga mas sofre um grande impulso em 1881 pela criação das casas de exportação alemãs que particularmente comercializam para a América do Norte e Alemanha.

O bordado da Madeira tem a sua origem no bordado inglês que, pelas mãos de Miss Phelps, foi ensinado às madeirenses, na temática do ponto cheio e ilhós ou abertos e fechados cuja diferença reside na rectidão do ponto de cordão. Hoje em dia abrangem variadíssimos géneros, onde se integra o maravilhoso bordado a branco, delicadíssimo (com ponto real e fios tirados ), os bordados de aplicação de cambraia de linho sobre organdi, desde os bordados de Richelieu aos policromos e às tapeçarias em meio ponto .

Encontramo-los divididos nos seguintes grupos: tecido s, algodões pesados e leves linhos crus e de outras cores, sedas (crepes georgetes); lenços de algodão e talagarça; linhas de bordar (algodão, seda e lã). A qualidade desses bordados, a preparação, os acabamentos e os materiais neles empregues (goma que oferece realce e consistência aos trabalhos) projectam largamente essa indústria. Mas deve-se muito da sua realização às qualidades da mulher/bordadeira madeirense que, nos intervalos da vida doméstica, urde e borda interpretando o desenho fiel e a exigentemente.

Nos motivos diversos que entram na composição dominam as bordaduras, de folhagem e flores entrelaçadas e recortes no estilo do bordado de Richelieu ou com pequenos buracos com passadeiras (brides). Para a beleza e perfeição destes bordados muito contribuiu a laboriosa preparação que não resistimos em relatar.

Os desenhadores profissionais começam por elaborá-lo esquematicamente pela representação gráfica dos motivos. Em seguida os copiadores reproduzem-no em vários exemplares em papel vegetal - cópias que, por sua vez, serão entregues aos picadores que, com os aparelhos de picotar, perfuram todos os traços do desenho, transformando-os numas chapas que vão garantir a correcta estampagem sobre o tecido. Cortada a fazenda, de acordo com os feitios desejados, as estampadeiras estendem o tecido sobre mesas compridas, forradas com pano, e colocam a chapa. Assim, com o auxílio de uma boneca embebida em tinta de anil, estampam o tecido esfregando a boneca até que todo o desenho fique estampado. Só depois são entregues para serem bordados. Finalmente são entregues na fábrica para a fase final de lavagem com sabão e lixívia. Depois de banhados com uma pequena percentagem de goma de amido são espremidos e passados a ferro. Só depois se entra na fase do recorte dos abertos.

São considerados 3 pontos principais (cordão, bastido e caseado). Derivam daquelas dezenas de outros: o ilhó , a folha aberta , o Richelieu. Folhas fechadas , granito s, os trevo s, as viúva s, o pesponto arrendado , remendo , sombra , ponto de Ana , escada , bainha , cruz e outros.

Talvez agora não se perceba um pouco da magia que exercem tais bordados, onde se entrelaçam inúmeros pontos e mãos robustas norteadas por um saber basáltico.

BORDADOS DA ILHA DE S. MIGUEL

À volta dos anos 1930, um grupo de senhoras micaelenses considerou, como meio de ajudar as populações carenciadas, lançar mão de desenhos antigos, graciosos, modernizá-los tornando-os relativamente fáceis de executar. Assim a Sr.ª D. Lily Bensaúde e Sr.ª D. Maria Luísa Faria Maia Castro e Almeida tornaram possível a execução de tal projecto. A Srª D. Maria Luísa desenha e lança mão da faiança pintada, aonde vai buscar motivos para os bordados e faz condizer também a louça aos bordados.

Esse bordado monocromático de base azul faiança, de dois tons, baseia-se na técnica do matiz. Actualmente introduziram-se o lilás e o vermelho escuro. Mas o mais apreciado continua a ser o azul.

Os motivos continuam a ser inspirados na natureza que reveste os Açores (trevos, cravinhas, avencas, pequenos ramos, aves) e ainda alguns motivos ornamentais de louça azul da China.

A composição caracteriza-se pela delicadeza conseguida através de três linhas paralelas sinuosas, emergindo da interior os motivos ou raminhos que, pequenos e soltos, salpicam o campo alternando com outros maiores.

Os pontos mais usados, além da matização, são o ponto pé de flor e, na orla, o de recorte que executado sobre uma bordinha de tecido voltada para o avesso, depois de aparado, resulta num remate perfeito. Os recortes podem ser executados com o redondo para o campo do bordado.

Estes bordados foram apresentados no continente, em Lisboa, pelo Sr. Alfredo Bensaúde, no Salão da Ilustração Portuguesa, na Rua do Século.

bordado de Guimarães

bordado dos Açores

   

bordado a seda branca com moldura de gorgorão, bordado a matiz de seda

bordado a seda inspirado em Viana do Castelo

   

bordado de Castelo Branco (algodão e seda)

bordado a seda de Castelo Branco

BORDADOS DE CASTELO BRANCO

Nasceram no século XVII, ou talvez ainda antes, como manifestação de afecto duradoiro enquanto as noivas bordavam as suas colchas para o leito nupcial e os familiares mais próximos do novo Padre as toalhas e os rodapés que seriam usados na sua primeira Missa.

Varias hipóteses se levantam sobre as influências que se cruzam, assim como os pontos, nesse interligar sábio de povos diferentes, (motivos persas, chineses, hindus) em épocas e correntes artísticas variadas (do Renascimento, do Barroco, da Índia, da China), dos damascos e estampados orientais, nasce o tão característico bordado.

Este bordado era executado com linhas de seda distorcida sobre linho fino, podendo-se utilizar o fio de linho. Actualmente emprega-se o de algodão “perlé”. Tanto o linho como a seda podiam ser tingidos de creme, azul ou castanho. Toda a colcha é rodeada por franjas estreitas.

A profusão dos motivos tratados demonstra não só a sua originalidade como a assimilação das influências - como se à natureza e aos 4 pontos cardeais chegasse o chilreio dos festejos que motivaram essas peças. Do Mar, da Terra e do Ar cruzam-se aves bicéfalas (motivo europeu que o Oriente adoptou e o Ocidente voltou a reincorporar de forma estilizada), pombas, galos, coroas reais, romãs, rolas, lírios alcachofras, pinhas, lagartos, montes de terra, silvas, bolotas, veados, cavaleiros, pelicanos, anjos, sereias, coelhos, cavaleiros, leões, conchas, noivos, águias, peixes, anémonas, cachos de uva…

Apenas nos referimos à ”árvore da vida” com o seu simbolismo de um tronco robusto que nasce de um pequeno monte, donde emergem flores, frutos, folhas e sobre estes esvoaçam, poisam animais domésticos e exóticos; o pássaro de duas cabeças significa duas almas numa só; as árvores a família; dois pássaros junto dos ramos e árvores, os casados; os encadeados, a cadeia matrimonial que antecede os noivos; os pombinhos, os namorados; os cravos vermelhos, o homem e os brancos, a pureza, a castidade e a inocência; os corações, o amor; as pinhas, a união indissolúvel da família; a coroa real, a autoridade patriarcal; a hera, a afeição; o galo, a vigilância.

Na evolução das colchas as modificações da composição estão ligadas também ao extracto social da bordadeira: Podemos dividi-las em 3 grupos: eruditas ou mais ricas (reflectiam as modas) pertencentes às casas nobres; as populares ou rurais e as mistas.

No séc. XVII, as famílias mais nobres, influenciadas pelas tapeçarias, variam a composição das colchas. Assim não só aparece o tapete colcha como elementos novos de influências variadas (francesa, flamenga e italiana) e a espanhola que se caracteriza especialmente por flores enroladas em encaixes, ligadas por grinaldas que partiam de vasos à moda Renascentista. No séc. XVIII, predominam as linhas curvas, especialmente na decoração floral e a concha faz a sua aparição assim como a cornucópia, os laços da corte de Luís XVI, incluindo figuras vestidas à moda…

Nos bordados de Castelo Branco, riquíssimos em pontos, poderíamos enumerar mais de uma dúzia, mas vamos apenas referir o ponto largo ou lançado, o Oriental , o de matiz e o ponto pé de flor. Falar de todos seria como bordar também uma cadeia infinita de pontos.

quadro bordado a matiz

bordado de Viana do Castelo

capa para missal bordada a matiz e ouro

estola (paramento) bordada a ouro, prata e matiz

mitra bordada a ouro

1. pano redondo em organdi; 2. pano redondo em organdi bordado a branco; 3. pano redondo com bordado de Tibaldinho

os bordados de tibaldinho

trabalho de alunos e professores da Escola de Tibaldinho

1. pano bordado a sombra e ouro; 2. pano em organdi bordado a ponto de sombra; 3. pano em organdi bordado a ponto de sombra; 4. toalha bordada a branco com aplicações de renda de Veneza; 5. pano com bordado de Niza.

1. pano em organdi bordado a branco; 2. pano bordado a branco; 3. colcha de linho com motivos infantis bordados em ponto cadeia; 4. toalha bordada a Richelieu; 5. toalha bordada a branco com aplicações de filet matemático; 6. toalha bordada a branco e beije com aplicações renda de Veneza.