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do desenho ao bordado

 

Do risco à cor, do traço ao fio, inspirado na Natureza, surge o projecto que, do papel ao linho grosso caseiro, usado nos bordados tradicionais ou em tecidos finos, irá cingir e embelezar a criança desde o nascimento, na hora do baptismo, o adolescente, a moça casadoira, ou o pescador.

O ensino unia os alunos às tradições portuguesas, deixando um legado, do qual apresentamos uma reduzida amostra. Num verdadeiro hino à Natureza. conviviam elegantemente e em perfeita harmonia (livremente estilizados conforme a maneira pessoal da executante), animais (aves, peixes, quadrúpedes), vegetais (folhas, flores e frutos), cruzes (especialmente a de Cristo), cartas de amor cruzando os ares no bico da pomba, corações com chaves. Também os desenhos geométricos eram profusamente utilizados.

Destacamos apenas alguns dos motivos mais usados: os ângulos e as linhas serpenteadas que unem os vários motivos, como as japoneiras, com a estilização da camélia, as silvas, linhas curvas ou rectas das quais surgem pequenos raminhos; vasos de plantas; botõezinhos, bolas de variados tamanhos bordadas a cheio ou cordão; o caracol, linha em ponto de cordão; chaves de fechadura que, combinadas de corações, simbolizavam o cofre do amor ; o coração, forma obtida por fios tirados, geralmente contornados a ponto pé de flor; estrelinhas, obtidas por pontos lançados verticais (com ângulos de 90º) e cruzados a meio a 45º; foicinhas, com lâminas estilizadas; folhinhas, referindo-se as estilizações preferidas às folhas de hera, morango, trevo e carvalho; raízes, pontos verticais ligeiramente afastados uns dos outros; murinhos executados em ponto de formiga, imitando um muro; rosas, o nome dado a qualquer desenho de flor; cachos de uvas, conseguidos por círculos exteriormente tangentes.

As regras da composição do desenho obedecem à simetria quaternária, mas a bordadeira minhota, ao compor, improvisa, privilegiando a harmonia e a vistosidade. Sem se prender ao rigor da verdade, surge um desenho onde muitas vezes não se identificam os motivos com exactidão. A bordadeira camponesa virtuosa desenhava inúmeras vezes directamente nos tecidos.

Os antigos bordados tradicionais em lã têm, como fundo, tecidos de tom cru, o que permite realçar a exuberante riqueza cromática dos tons vivos de vermelho, azul, roxo, verde e grená. Nas composições mais modernas, nos bordados a fio de algodão, o vermelho, o azul faiança e o branco aplicavam-se sobre tecidos de tons brancos encruados. Os mais antigos eram monocromáticos sobre tecidos vermelhos e azul-cobalto.

Nos exemplos de desenhos seleccionados, vemos também que, de acordo com o produto final a conseguir, se planeia e projecta sobre o papel com todo o rigor: desenhos cuidadosamente elaborados que, ao primeiro olhar, nos parecem bordados.